{"id":1050,"date":"2026-03-11T10:00:41","date_gmt":"2026-03-11T13:00:41","guid":{"rendered":"https:\/\/accorda.com.br\/blog\/?p=1050"},"modified":"2026-03-11T10:00:41","modified_gmt":"2026-03-11T13:00:41","slug":"trf-3-afasta-tributacao-adicional-no-lucro-presumido-e-reacende-debate-sobre-limites-da-carga-tributaria-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/accorda.com.br\/blog\/trf-3-afasta-tributacao-adicional-no-lucro-presumido-e-reacende-debate-sobre-limites-da-carga-tributaria-no-brasil\/","title":{"rendered":"TRF-3 afasta tributa\u00e7\u00e3o adicional no lucro presumido e reacende debate sobre limites da carga tribut\u00e1ria no Brasil"},"content":{"rendered":"\n<p>O<strong> sistema tribut\u00e1rio brasileiro<\/strong> frequentemente se torna palco de disputas interpretativas que ultrapassam o simples c\u00e1lculo de impostos e alcan\u00e7am princ\u00edpios constitucionais fundamentais. Recentemente, uma decis\u00e3o do<strong> Tribunal Regional Federal da 3\u00aa Regi\u00e3o <\/strong>(TRF-3) trouxe novamente \u00e0 tona o debate sobre os limites da tributa\u00e7\u00e3o no regime de lucro presumido.<\/p>\n\n\n\n<p>A Corte afastou a aplica\u00e7\u00e3o de um adicional de 10% sobre as al\u00edquotas do Imposto de Renda da Pessoa Jur\u00eddica (IRPJ) e da Contribui\u00e7\u00e3o Social sobre o Lucro L\u00edquido (CSLL) para empresas enquadradas nesse regime tribut\u00e1rio. A decis\u00e3o representa um dos primeiros posicionamentos de segunda inst\u00e2ncia favor\u00e1veis aos contribuintes ap\u00f3s a edi\u00e7\u00e3o da <a href=\"https:\/\/share.google\/gm29wkdy0NH4yp3FG\">Lei Complementar n\u00ba 224\/2025<\/a>, que promoveu mudan\u00e7as relevantes na sistem\u00e1tica de tributa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora o tema ainda esteja em discuss\u00e3o em diferentes inst\u00e2ncias do Judici\u00e1rio, o julgamento abre um novo cap\u00edtulo na an\u00e1lise dos<strong> limites da atua\u00e7\u00e3o do legislador e da administra\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria quando se trata da majora\u00e7\u00e3o de tributos<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que mudou com a Lei Complementar n\u00ba 224\/2025<\/h2>\n\n\n\n<p>Inicialmente, \u00e9 necess\u00e1rio compreender o contexto da controv\u00e9rsia.<\/p>\n\n\n\n<p>A Lei Complementar n\u00ba 224\/2025 introduziu altera\u00e7\u00f5es relevantes na<strong> tributa\u00e7\u00e3o de empresas que utilizam o regime de lucro presumido<\/strong>. Entre outras mudan\u00e7as, a norma passou a tratar esse regime como um benef\u00edcio fiscal, o que abriu espa\u00e7o para a aplica\u00e7\u00e3o de um adicional de 10% nas al\u00edquotas de IRPJ e CSLL.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa cobran\u00e7a adicional passou a atingir empresas com faturamento superior a R$ 5 milh\u00f5es por ano, ou R$ 1,25 milh\u00e3o por trimestre.<\/p>\n\n\n\n<p>Na pr\u00e1tica, a mudan\u00e7a representou uma antecipa\u00e7\u00e3o da carga tribut\u00e1ria para muitas empresas que optam pelo lucro presumido como forma simplificada de apura\u00e7\u00e3o de impostos.<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, a medida gerou forte rea\u00e7\u00e3o no meio empresarial e jur\u00eddico, sobretudo porque o lucro presumido sempre foi compreendido como um regime leg\u00edtimo de apura\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria, e n\u00e3o propriamente como um incentivo fiscal.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O entendimento adotado pelo TRF-3<\/h3>\n\n\n\n<p>Ao analisar o caso concreto, o desembargador Wilson Zauhy, relator do processo no TRF-3, acolheu os argumentos apresentados pela empresa contribuinte.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o magistrado, o aumento da carga tribut\u00e1ria decorrente da aplica\u00e7\u00e3o do adicional de 10% viola o <a href=\"https:\/\/share.google\/aiH7Ez6CvQCwjbiDi\"><strong>princ\u00edpio da legalidade tribut\u00e1ria<\/strong><\/a>, previsto na Constitui\u00e7\u00e3o Federal.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o relator, o lucro presumido constitui uma sistem\u00e1tica de apura\u00e7\u00e3o prevista no <a href=\"https:\/\/share.google\/SBVdNSHe7iaCg19cg\">C\u00f3digo Tribut\u00e1rio Nacional<\/a>, ao lado de outros regimes, como o lucro real e o lucro arbitrado.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O lucro presumido n\u00e3o \u00e9 um benef\u00edcio fiscal<\/h3>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, a decis\u00e3o enfatiza que o regime de lucro presumido implica uma escolha do contribuinte.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao optar por esse modelo, a empresa renuncia \u00e0 possibilidade de apurar o lucro efetivo e deduzir despesas reais, passando a utilizar um crit\u00e9rio objetivo de c\u00e1lculo baseado em percentuais sobre o faturamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa caracter\u00edstica, segundo o entendimento adotado no julgamento, n\u00e3o transforma o regime em um benef\u00edcio fiscal. Trata-se, na realidade, de uma modalidade legal de apura\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria, prevista no pr\u00f3prio sistema tribut\u00e1rio brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Consequentemente, equipar\u00e1-lo a um incentivo fiscal para justificar aumento de al\u00edquotas pode distorcer a natureza jur\u00eddica do regime.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Tributa\u00e7\u00e3o baseada apenas no faturamento gera questionamentos<\/h2>\n\n\n\n<p>Outro ponto central da discuss\u00e3o envolve o crit\u00e9rio adotado para a majora\u00e7\u00e3o da carga tribut\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>A Lei Complementar n\u00ba 224\/2025 passou a vincular o aumento das al\u00edquotas ao volume de faturamento anual das empresas, sem exigir demonstra\u00e7\u00e3o de aumento efetivo da lucratividade.<\/p>\n\n\n\n<p>Na pr\u00e1tica, isso significa que empresas com faturamento elevado podem sofrer aumento da tributa\u00e7\u00e3o mesmo em cen\u00e1rios de margens reduzidas ou at\u00e9 mesmo preju\u00edzo operacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa l\u00f3gica gerou cr\u00edticas de especialistas em direito tribut\u00e1rio, que apontam poss\u00edvel <strong>viola\u00e7\u00e3o ao princ\u00edpio da capacidade contributiva<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse princ\u00edpio constitucional determina que a tributa\u00e7\u00e3o deve considerar a real capacidade econ\u00f4mica do contribuinte, evitando a cobran\u00e7a de tributos desproporcionais ou desconectados da realidade financeira das empresas.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Impactos econ\u00f4micos para as empresas<\/h3>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m das discuss\u00f5es jur\u00eddicas, a mudan\u00e7a tamb\u00e9m produziu efeitos econ\u00f4micos relevantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Como a nova lei foi publicada no final de dezembro de 2025, muitas empresas n\u00e3o tiveram tempo suficiente para adaptar sua estrutura financeira e contratual \u00e0s novas regras.<\/p>\n\n\n\n<p>Em diversos setores, contratos comerciais j\u00e1 haviam sido firmados com margens previamente estabelecidas, o que dificultou a absor\u00e7\u00e3o da carga tribut\u00e1ria adicional.<\/p>\n\n\n\n<p>Em alguns casos, empresas argumentam que a majora\u00e7\u00e3o de impostos n\u00e3o pode ser repassada aos clientes, o que pode gerar impacto direto no fluxo de caixa e na rentabilidade das opera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa situa\u00e7\u00e3o contribuiu para o aumento da judicializa\u00e7\u00e3o do tema, com diversas a\u00e7\u00f5es sendo propostas em todo o pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O debate tamb\u00e9m chegou ao Supremo Tribunal Federal<\/h2>\n\n\n\n<p>Paralelamente \u00e0s decis\u00f5es judiciais em primeira e segunda inst\u00e2ncia, o tema tamb\u00e9m chegou ao Supremo Tribunal Federal.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma <a href=\"https:\/\/share.google\/tjzAPuH0iaRsaUsC1\">A\u00e7\u00e3o Direta de Inconstitucionalidade (ADI 7936)<\/a> foi proposta questionando a constitucionalidade das altera\u00e7\u00f5es introduzidas pela Lei Complementar n\u00ba 224\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os argumentos apresentados est\u00e3o poss\u00edveis viola\u00e7\u00f5es aos princ\u00edpios da:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>capacidade contributiva<br><\/li>\n\n\n\n<li>seguran\u00e7a jur\u00eddica<br><\/li>\n\n\n\n<li>isonomia tribut\u00e1ria<br><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>O julgamento da mat\u00e9ria pelo STF poder\u00e1 estabelecer um entendimento definitivo sobre a constitucionalidade da norma e seus efeitos para o sistema tribut\u00e1rio brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Um cen\u00e1rio ainda em forma\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>Apesar da decis\u00e3o favor\u00e1vel proferida pelo TRF-3, o cen\u00e1rio jur\u00eddico ainda est\u00e1 longe de uma consolida\u00e7\u00e3o definitiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Levantamentos indicam que, at\u00e9 o momento, a maioria das decis\u00f5es judiciais sobre o tema ainda tem sido desfavor\u00e1vel \u00e0s empresas.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, existem liminares concedidas em alguns casos e outras a\u00e7\u00f5es em tramita\u00e7\u00e3o que podem alterar esse panorama nos pr\u00f3ximos meses.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso demonstra que a discuss\u00e3o sobre a tributa\u00e7\u00e3o no lucro presumido permanece aberta e dever\u00e1 continuar sendo objeto de intenso debate nos tribunais.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Seguran\u00e7a jur\u00eddica e previsibilidade tribut\u00e1ria<\/h2>\n\n\n\n<p>Independentemente do desfecho final da controv\u00e9rsia, o epis\u00f3dio evidencia um desafio recorrente no sistema tribut\u00e1rio brasileiro: a necessidade de equil\u00edbrio entre arrecada\u00e7\u00e3o fiscal e seguran\u00e7a jur\u00eddica.<\/p>\n\n\n\n<p>Mudan\u00e7as abruptas na tributa\u00e7\u00e3o podem gerar impactos relevantes para empresas, afetando planejamento financeiro, investimentos e competitividade.<\/p>\n\n\n\n<p>Por essa raz\u00e3o, decis\u00f5es judiciais que examinam com rigor a compatibilidade dessas mudan\u00e7as com os princ\u00edpios constitucionais desempenham papel fundamental na preserva\u00e7\u00e3o da estabilidade institucional.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso espec\u00edfico do lucro presumido, a discuss\u00e3o refor\u00e7a a import\u00e2ncia de compreender a natureza jur\u00eddica desse regime e os limites da atua\u00e7\u00e3o legislativa na redefini\u00e7\u00e3o de sua estrutura.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Um debate que vai al\u00e9m da tributa\u00e7\u00e3o<\/h3>\n\n\n\n<p>Mais do que uma disputa tribut\u00e1ria espec\u00edfica, o caso analisado pelo TRF-3 revela um debate mais amplo sobre o funcionamento do sistema econ\u00f4mico e jur\u00eddico brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p>A forma como o Estado define e aplica regras de tributa\u00e7\u00e3o influencia diretamente o ambiente de neg\u00f3cios, a confian\u00e7a dos agentes econ\u00f4micos e a previsibilidade das rela\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, decis\u00f5es judiciais que analisam criticamente mudan\u00e7as legislativas contribuem para fortalecer o di\u00e1logo entre arrecada\u00e7\u00e3o estatal, desenvolvimento econ\u00f4mico e respeito \u00e0s garantias constitucionais.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 medida que o tema avan\u00e7a nas inst\u00e2ncias judiciais, especialmente no Supremo Tribunal Federal, ser\u00e1 poss\u00edvel compreender com maior clareza quais ser\u00e3o os limites definitivos dessa nova configura\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 l\u00e1, empresas e operadores do direito seguem acompanhando atentamente os desdobramentos dessa discuss\u00e3o, que pode redefinir aspectos importantes da tributa\u00e7\u00e3o no regime de lucro presumido.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Fonte: Valor Econ\u00f4mico<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O sistema tribut\u00e1rio brasileiro frequentemente se torna palco de disputas interpretativas que ultrapassam o simples c\u00e1lculo de impostos e alcan\u00e7am princ\u00edpios constitucionais fundamentais. Recentemente, uma decis\u00e3o do Tribunal Regional Federal da 3\u00aa Regi\u00e3o (TRF-3) trouxe novamente \u00e0 tona o debate sobre os limites da tributa\u00e7\u00e3o no regime de lucro presumido. A Corte afastou a aplica\u00e7\u00e3o de um adicional de 10% sobre as al\u00edquotas do Imposto de Renda da Pessoa Jur\u00eddica (IRPJ) e da Contribui\u00e7\u00e3o Social sobre o Lucro L\u00edquido (CSLL) para empresas enquadradas nesse regime tribut\u00e1rio. A decis\u00e3o representa um dos primeiros posicionamentos de segunda inst\u00e2ncia favor\u00e1veis aos contribuintes ap\u00f3s a edi\u00e7\u00e3o da Lei Complementar n\u00ba 224\/2025, que promoveu mudan\u00e7as relevantes na sistem\u00e1tica de tributa\u00e7\u00e3o. Embora o tema ainda esteja em discuss\u00e3o em diferentes inst\u00e2ncias do Judici\u00e1rio, o julgamento abre um novo cap\u00edtulo na an\u00e1lise dos limites da atua\u00e7\u00e3o do legislador e da administra\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria quando se trata da majora\u00e7\u00e3o de tributos. O que mudou com a Lei Complementar n\u00ba 224\/2025 Inicialmente, \u00e9 necess\u00e1rio compreender o contexto da controv\u00e9rsia. A Lei Complementar n\u00ba 224\/2025 introduziu altera\u00e7\u00f5es relevantes na tributa\u00e7\u00e3o de empresas que utilizam o regime de lucro presumido. Entre outras mudan\u00e7as, a norma passou a tratar esse regime como um benef\u00edcio fiscal, o que abriu espa\u00e7o para a aplica\u00e7\u00e3o de um adicional de 10% nas al\u00edquotas de IRPJ e CSLL. Essa cobran\u00e7a adicional passou a atingir empresas com faturamento superior a R$ 5 milh\u00f5es por ano, ou R$ 1,25 milh\u00e3o por trimestre. Na pr\u00e1tica, a mudan\u00e7a representou uma antecipa\u00e7\u00e3o da carga tribut\u00e1ria para muitas empresas que optam pelo lucro presumido como forma simplificada de apura\u00e7\u00e3o de impostos. Contudo, a medida gerou forte rea\u00e7\u00e3o no meio empresarial e jur\u00eddico, sobretudo porque o lucro presumido sempre foi compreendido como um regime leg\u00edtimo de apura\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria, e n\u00e3o propriamente como um incentivo fiscal. O entendimento adotado pelo TRF-3 Ao analisar o caso concreto, o desembargador Wilson Zauhy, relator do processo no TRF-3, acolheu os argumentos apresentados pela empresa contribuinte. Segundo o magistrado, o aumento da carga tribut\u00e1ria decorrente da aplica\u00e7\u00e3o do adicional de 10% viola o princ\u00edpio da legalidade tribut\u00e1ria, previsto na Constitui\u00e7\u00e3o Federal. Para o relator, o lucro presumido constitui uma sistem\u00e1tica de apura\u00e7\u00e3o prevista no C\u00f3digo Tribut\u00e1rio Nacional, ao lado de outros regimes, como o lucro real e o lucro arbitrado. O lucro presumido n\u00e3o \u00e9 um benef\u00edcio fiscal Nesse sentido, a decis\u00e3o enfatiza que o regime de lucro presumido implica uma escolha do contribuinte. Ao optar por esse modelo, a empresa renuncia \u00e0 possibilidade de apurar o lucro efetivo e deduzir despesas reais, passando a utilizar um crit\u00e9rio objetivo de c\u00e1lculo baseado em percentuais sobre o faturamento. Essa caracter\u00edstica, segundo o entendimento adotado no julgamento, n\u00e3o transforma o regime em um benef\u00edcio fiscal. Trata-se, na realidade, de uma modalidade legal de apura\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria, prevista no pr\u00f3prio sistema tribut\u00e1rio brasileiro. Consequentemente, equipar\u00e1-lo a um incentivo fiscal para justificar aumento de al\u00edquotas pode distorcer a natureza jur\u00eddica do regime. Tributa\u00e7\u00e3o baseada apenas no faturamento gera questionamentos Outro ponto central da discuss\u00e3o envolve o crit\u00e9rio adotado para a majora\u00e7\u00e3o da carga tribut\u00e1ria. A Lei Complementar n\u00ba 224\/2025 passou a vincular o aumento das al\u00edquotas ao volume de faturamento anual das empresas, sem exigir demonstra\u00e7\u00e3o de aumento efetivo da lucratividade. Na pr\u00e1tica, isso significa que empresas com faturamento elevado podem sofrer aumento da tributa\u00e7\u00e3o mesmo em cen\u00e1rios de margens reduzidas ou at\u00e9 mesmo preju\u00edzo operacional. Essa l\u00f3gica gerou cr\u00edticas de especialistas em direito tribut\u00e1rio, que apontam poss\u00edvel viola\u00e7\u00e3o ao princ\u00edpio da capacidade contributiva. Esse princ\u00edpio constitucional determina que a tributa\u00e7\u00e3o deve considerar a real capacidade econ\u00f4mica do contribuinte, evitando a cobran\u00e7a de tributos desproporcionais ou desconectados da realidade financeira das empresas. Impactos econ\u00f4micos para as empresas Al\u00e9m das discuss\u00f5es jur\u00eddicas, a mudan\u00e7a tamb\u00e9m produziu efeitos econ\u00f4micos relevantes. Como a nova lei foi publicada no final de dezembro de 2025, muitas empresas n\u00e3o tiveram tempo suficiente para adaptar sua estrutura financeira e contratual \u00e0s novas regras. Em diversos setores, contratos comerciais j\u00e1 haviam sido firmados com margens previamente estabelecidas, o que dificultou a absor\u00e7\u00e3o da carga tribut\u00e1ria adicional. Em alguns casos, empresas argumentam que a majora\u00e7\u00e3o de impostos n\u00e3o pode ser repassada aos clientes, o que pode gerar impacto direto no fluxo de caixa e na rentabilidade das opera\u00e7\u00f5es. Essa situa\u00e7\u00e3o contribuiu para o aumento da judicializa\u00e7\u00e3o do tema, com diversas a\u00e7\u00f5es sendo propostas em todo o pa\u00eds. O debate tamb\u00e9m chegou ao Supremo Tribunal Federal Paralelamente \u00e0s decis\u00f5es judiciais em primeira e segunda inst\u00e2ncia, o tema tamb\u00e9m chegou ao Supremo Tribunal Federal. Uma A\u00e7\u00e3o Direta de Inconstitucionalidade (ADI 7936) foi proposta questionando a constitucionalidade das altera\u00e7\u00f5es introduzidas pela Lei Complementar n\u00ba 224\/2025. Entre os argumentos apresentados est\u00e3o poss\u00edveis viola\u00e7\u00f5es aos princ\u00edpios da: O julgamento da mat\u00e9ria pelo STF poder\u00e1 estabelecer um entendimento definitivo sobre a constitucionalidade da norma e seus efeitos para o sistema tribut\u00e1rio brasileiro. Um cen\u00e1rio ainda em forma\u00e7\u00e3o Apesar da decis\u00e3o favor\u00e1vel proferida pelo TRF-3, o cen\u00e1rio jur\u00eddico ainda est\u00e1 longe de uma consolida\u00e7\u00e3o definitiva. Levantamentos indicam que, at\u00e9 o momento, a maioria das decis\u00f5es judiciais sobre o tema ainda tem sido desfavor\u00e1vel \u00e0s empresas. Ao mesmo tempo, existem liminares concedidas em alguns casos e outras a\u00e7\u00f5es em tramita\u00e7\u00e3o que podem alterar esse panorama nos pr\u00f3ximos meses. Isso demonstra que a discuss\u00e3o sobre a tributa\u00e7\u00e3o no lucro presumido permanece aberta e dever\u00e1 continuar sendo objeto de intenso debate nos tribunais. Seguran\u00e7a jur\u00eddica e previsibilidade tribut\u00e1ria Independentemente do desfecho final da controv\u00e9rsia, o epis\u00f3dio evidencia um desafio recorrente no sistema tribut\u00e1rio brasileiro: a necessidade de equil\u00edbrio entre arrecada\u00e7\u00e3o fiscal e seguran\u00e7a jur\u00eddica. Mudan\u00e7as abruptas na tributa\u00e7\u00e3o podem gerar impactos relevantes para empresas, afetando planejamento financeiro, investimentos e competitividade. Por essa raz\u00e3o, decis\u00f5es judiciais que examinam com rigor a compatibilidade dessas mudan\u00e7as com os princ\u00edpios constitucionais desempenham papel fundamental na preserva\u00e7\u00e3o da estabilidade institucional. No caso espec\u00edfico do lucro presumido, a discuss\u00e3o refor\u00e7a a import\u00e2ncia de compreender a natureza jur\u00eddica desse regime e os limites da atua\u00e7\u00e3o legislativa na redefini\u00e7\u00e3o de sua estrutura. Um debate que vai al\u00e9m da tributa\u00e7\u00e3o Mais do<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1051,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1050","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/accorda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1050","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/accorda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/accorda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/accorda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/accorda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1050"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/accorda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1050\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1052,"href":"https:\/\/accorda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1050\/revisions\/1052"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/accorda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1051"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/accorda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1050"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/accorda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1050"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/accorda.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1050"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}