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Mais ações trabalhistas, mais demora: como lidar com a espera pelos créditos e os impactos para advogados e reclamantes

Dados recentes divulgados pela Justiça do Trabalho mostram que o país atingiu um novo pico no número de ações trabalhistas

Em 2025, foram ajuizados cerca de 2,321 milhões de novos processos, um crescimento de 8,47% em relação a 2024. Esse número representa uma retomada consistente da judicialização após os efeitos da Reforma Trabalhista de 2017, que havia provocado, por alguns anos, uma redução significativa no volume de demandas.

Esse movimento indica que, mesmo após mudanças legislativas relevantes, a Justiça do Trabalho continua sendo um dos principais caminhos para a resolução de conflitos entre trabalhadores e empregadores no Brasil. 

Ao mesmo tempo, o crescimento das ações também evidencia que questões estruturais do mercado de trabalho e da economia seguem gerando disputas que acabam sendo levadas ao Judiciário.

No entanto, o aumento da judicialização traz consigo uma consequência inevitável: maior pressão sobre o sistema de justiça.

O aumento das ações e os impactos no tempo de tramitação

Naturalmente, quanto maior o número de processos ingressando nas varas do trabalho, maior é a demanda sobre a estrutura do Judiciário. Ainda que a Justiça do Trabalho possua histórico de relativa celeridade quando comparada a outros ramos do Judiciário, o crescimento constante das ações tende a impactar diretamente o tempo médio de tramitação.

Na prática, isso significa que processos trabalhistas podem levar anos até atingir etapas decisivas como o trânsito em julgado ou a fase de execução. Em muitos casos, mesmo após o reconhecimento judicial do direito do trabalhador, o recebimento efetivo do crédito ainda depende de procedimentos adicionais, como cálculos, impugnações e medidas de execução patrimonial.

Além disso, a complexidade de determinadas demandas também contribui para o prolongamento das disputas. Processos que envolvem múltiplos pedidos, perícias técnicas ou discussões jurídicas mais sofisticadas acabam exigindo mais tempo de análise por parte dos magistrados e tribunais.

Consequentemente, trabalhadores e advogados passam a lidar com um cenário em que o reconhecimento de um direito não significa necessariamente sua satisfação imediata.

Insegurança jurídica e debates interpretativos

Outro elemento que contribui para a duração dos processos é o ambiente jurídico ainda marcado por debates relevantes sobre a aplicação de normas introduzidas pela Reforma Trabalhista.

Desde a aprovação da reforma, diversos dispositivos legais passaram a ser objeto de discussão nos tribunais superiores, especialmente no Tribunal Superior do Trabalho (TST) e no Supremo Tribunal Federal (STF). Essas discussões envolvem temas como honorários de sucumbência, gratuidade da justiça, terceirização e formas de contratação.

À medida que essas matérias são analisadas pelas côrtes superiores, novos entendimentos jurisprudenciais passam a orientar as decisões das instâncias inferiores. Esse processo de consolidação interpretativa, embora natural em qualquer sistema jurídico, pode gerar períodos de maior incerteza enquanto os tribunais ainda não firmam posicionamentos definitivos.

Assim, além da própria morosidade processual, advogados e partes também precisam lidar com um contexto em que a evolução da jurisprudência pode influenciar diretamente o resultado das ações.

Antecipação de créditos trabalhistas como alternativa de liquidez

Diante desse cenário, cresce o interesse por soluções que permitam maior previsibilidade financeira para trabalhadores e advogados envolvidos em demandas judiciais.

Nesse contexto, a antecipação de créditos trabalhistas surge como uma alternativa relevante para aqueles que desejam reduzir os efeitos da espera pelo desfecho definitivo do processo.

Em termos práticos, essa operação permite que o titular de um crédito judicial, ou seu advogado, no caso de honorários, receba antecipadamente parte do valor que está sendo discutido ou aguardando pagamento na Justiça.

Esse mecanismo transforma um direito futuro, cujo recebimento depende da tramitação processual, em liquidez imediata.

Como a antecipação pode ajudar advogados e clientes

Para os trabalhadores, a antecipação pode representar um alívio financeiro importante. Muitas vezes, o crédito trabalhista decorre justamente de situações de desemprego, rescisões contratuais ou dificuldades financeiras enfrentadas durante o vínculo empregatício.

Nesses casos, aguardar anos até a conclusão do processo pode não ser uma alternativa viável para quem precisa reorganizar sua vida financeira.

Por outro lado, a antecipação também pode trazer benefícios relevantes para os próprios advogados que atuam na área trabalhista.

Em muitos escritórios, especialmente aqueles que lidam com grande volume de ações, a remuneração depende diretamente do recebimento dos honorários ao final dos processos. Quando a tramitação se prolonga por longos períodos, o fluxo de caixa do escritório pode ser impactado.

Nesse sentido, a antecipação de créditos, inclusive de honorários, sejam contratuais ou sucumbenciais, pode funcionar como uma ferramenta estratégica de gestão financeira.

Ao transformar um direito futuro em liquidez imediata, advogados podem investir na estrutura do escritório, ampliar equipes, investir em tecnologia jurídica ou fortalecer sua operação enquanto os processos continuam em andamento.

O crescimento do mercado de cessão de créditos judiciais

Esse contexto também explica por que o mercado de cessão e antecipação de créditos judiciais tem ganhado cada vez mais relevância no Brasil.

À medida que o volume de processos aumenta e os prazos de tramitação permanecem elevados, soluções que tragam maior previsibilidade financeira passam a despertar maior interesse tanto de credores quanto de advogados.

A cessão de créditos judiciais permite que o titular do direito transfira seu crédito a um terceiro em troca de pagamento imediato, assumindo este o risco e a espera pelo desfecho da demanda.

Esse tipo de operação exige análise jurídica e processual detalhada, justamente para avaliar fatores como estágio do processo, probabilidade de êxito e perspectiva de recebimento do crédito.

Por essa razão, o crescimento desse mercado também tem sido acompanhado pela atuação de empresas especializadas na estruturação dessas operações.

O papel da Accorda na antecipação de créditos judiciais

Nesse cenário, empresas que atuam com a aquisição e antecipação de créditos judiciais desempenham um papel cada vez mais relevante na criação de soluções financeiras para o ambiente jurídico.

Aqui na Accorda, atuamos há mais de seis anos no mercado de negociação de ativos judiciais, oferecendo soluções estruturadas para a antecipação de créditos trabalhistas, precatórios e outros direitos creditórios discutidos judicialmente.

Nosso trabalho envolve análise jurídica criteriosa, avaliação processual detalhada e construção de operações que permitam transformar direitos futuros em liquidez imediata de forma segura e transparente.

Em um contexto de crescimento das demandas trabalhistas e possível aumento no tempo de tramitação das ações, mecanismos que tragam maior previsibilidade financeira tendem a ganhar cada vez mais importância.

Nesse sentido, a antecipação de créditos judiciais não representa apenas uma alternativa financeira, mas também uma forma estratégica de lidar com os desafios estruturais do sistema de justiça brasileiro.

Texto por Michelle Ramos – Executiva de Contas da Accorda

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